segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Gente boa na Polónia



O fim de uma semana a recuperar de gripe começa com a dura realidade de enfrentar uma cidade coberta de neve e lama. 

Da janela da cozinha vi durante dias a fio o meu Scenic coberto de neve e não fosse lembrar-me do lugar onde o estacionei nem o reconheceria, era mais um entre tantos outros. Sabia que tinha de sacudir a neve e raspar o gelo dos vidros enquanto tinha a esperança que os pneus de Verão – que deviam ter sido mudados na semana anterior – conseguissem enfrentar o verdadeiro colchão de neve em frente do prédio.

Estavam 10 graus negativos e ao rodar a chave o motor de arranque geme e quase desmaia antes do motor começar a trabalhar. O primeiro passo estava concluído, o carro trabalha! Depois é que foram elas… Sair do monte de neve ao redor foi relativamente fácil mas, de repente, ao manobrar, o carro começa a derrapar e não sai mais do sitio; marcha-atrás, primeira, marcha-atrás, primeira, vira o volante para o lado esquerdo, para o lado direito, chiadeira de pneus e cheiro a borracha queimada e nada. Estava atascado. A 15 minutos da oficina onde ia mudar os pneus e fiquei preso transversalmente à estrada tendo do lado direito um táxi Audi A4 e do lado esquerdo um FSO Polonez. 

É nestes momentos que acontece um fenómeno bastante enraizado na Polónia; os condutores saem dos seus carros e dão um empurrão para que o trânsito volte à normalidade. No meu caso ainda tive o taxista a ir ao seu carro buscar uma pá para cavar a neve ao redor dos pneus dianteiros e, com a ajuda dos dois condutores e uns cartões de papelão  velhos que tinha em casa, lá consegui sair do buraco onde estava. Valeu-me a boa gente que por vezes encontramos. 


Nesse mesmo dia tive a obrigação moral de ajudar o condutor de um BMW que ficou atascado mas, ao contrário de mim que me desfiz em agradecimentos, o “gajo” do BMW não agradeceu nem a “madame” que estava com ele se dignou sequer de sair do quentinho para ajudar a empurrar. Entrei no meu carro e pelo espelho ainda os vi de novo a levantarem neve sem saírem do sitio. 


Do widzenia kolego!

5 comentários:

Ryan disse...

Sim concordo contigo amigo. Em algumas situações os Polacos já me ajudaram. Mereciam uma medalha.

linda taipa disse...

Uau.se fosse eu julgava que esse alto era uma elevação de terreno..
Nem consigo imaginar.Ainda bem que há quem ajude pena que os ajudados não sejam mais amáveis,ou já estão tão habituados que é sempre a andar.
Quen nos dera a Primavera....

Geraldo Geraldes disse...

Um Scenic???? Oh boze, converteste-te aos "people carriers"...

Ricardo Taipa disse...

@ Ryan - Sem duvidas. Boa gente.

@ Linda - A Primavera acaba por ser vivida mais intensamente nestas paragens. Depois de Invernos destes só mesmo a abundância de verde, de flores e a ausência de neve e gelo nos fazem esquecer os meses de privações.

@ Geraldo - Pá... o italiano sofreu do mal chamado "Alfa Seltzer". Neve, sal e gelo deram conta do chassis e não gasto dinheiro em chapeiros polacos.

O Scenic é tipo mini-bus, perfeito para a família, as cadeirinhas, os papeis de rebuçado e de chocolates, os pacotes de sumo e tralhas adjacentes mas sem elan desportivo.

Os dois tectos de abrir proporcionam uma visão inigualável no Inverno; gelo!

Geraldo Geraldes disse...

Pois, o aço italiano e a sua fama :(...
Eu só espero é que não partilhes no forúm do Autohoje que já deixaste de ter carro e sim um meio de locomoção ergonomicamente engraçado eheheh...(se quiseres que compre uns autocolantes aqui em Pt a dizer "bébé a bordo" posso-te enviar por correio) :).
Também me lembro da solidariedade polaca quando o meu carro me deixava mal em estradas polacas (e ainda foram umas quantas).