sábado, 14 de agosto de 2010

Somos os novos emigrantes


As coisas mudaram de há uns anos a esta parte. O típico emigrante português já não é apenas o pobretana sem escolaridade que saiu da aldeia para o estrangeiro com o sonho de regressar um dia e construir uma grande vivenda com o dinheiro que lhe saiu do suor e de inúmeros sacrifícios ao longo de trinta anos ou mais. O novo emigrante português tem escolaridade e em muitos casos doutoramento, alguns até sabem quando colocar o há - do verbo haver - e usar o ifen correctamente. Hoje vi um deles na televisão portuguesa, o Nuno Bernardes, do blogue Misha na Polónia foi convidado do programa Tardes de Júlia na TVI, o tema era sobre a nova vaga de emigração, especialmente aquela que começou a sair do "país à beira mar plantado" desde há dez anos. 

Como seria de esperar o Nuno representou da melhor maneira a comunidade portuguesa na Polónia mesmo tendo o cuidado de frisar que os comentários sobre a Polónia eram apenas o seu ponto de vista. Pela parte que me toca fiquei satisfeito e divertido com alguns momentos em que ele brilhou no pequeno ecrã. Gostaria de frisar aos leitores que ainda não conheci pessoalmente o Nuno apesar de já ter falado com ele ao telefone, trocar correio electrónico, pontos de vista no Fórum Portugueses na Polónia e no seu blogue. No entanto é daquelas pessoas que irradiam energia positiva e com as quais sentimos empatia.

Haviam mais dois emigrantes, duas portuguesas licenciadas, uma a viver nos EUA e outra em Madrid. Estão integradas nos países de acolhimento e pouco convictas quanto a um regresso triunfal ao seu país de origem. Interessante a nota de Irina (Engenheira Química) sobre a qualidade dos licenciados portugueses nos EUA, quando em comparação com os estudantes americanos. É bom saber que somos apreciados no estrangeiro mas ainda melhor saber que somos reconhecidos como bons e competentes - algo que falta no ensino e na cultura portuguesa. O elogio e o incentivo parecem custar a sair dos inúmeros Doutores e Engenheiros das nossas faculdades - como se se sentissem ofuscados pelo brilho de alguns dos seus estudantes.

Quanto ao nosso "representante" foi uma boa amostra daquilo que a Polónia tem ganho com a emigração portuguesa; material genético de primeira qualidade que alia o bom aspecto com a inteligência... Não é segredo para ninguém que a maior parte dos emigrantes portugueses na Polónia são homens e quase sempre vêm a reboque com uma polaca ou atrás das polacas. Elas são o leitmotiv de grande parte desta nova emigração - mais do que as oportunidades da dita nova União Europeia ou a beleza de algumas paisagens da Polónia.

 As "Mishonettes" que acompanharam o nosso luso provaram bem isso e foi notório o empenho do cameramen em filmar as pernas da namorada do Nuno. A Ewa já deve estar habituada aos olhares indiscretos dos portugueses mas desta vez foi também uma representante condigna daquilo que nos transtorna ao ponto de deixarmos o calor, o mar, o céu azul, o bacalhau, o vinho barato e bom e, claro, a nossa mãe.

Isto já vem de trás, dos tempos dos descobrimentos. Os Lusíadas o narraram quando os marujos portugueses, depois de longos meses no mar, tomaram a Ilha dos Amores fazendo ouvir os "famintos beijos na floresta" e o "mimoso choro que soava" - nesse aspecto não somos pioneiros e a miscigenação é um apanágio dos portugueses e da Diáspora portuguesa. Ainda bem que as coisas mudaram, talvez isso mude a ideia que se criou ao longo de décadas sobre o emigrante português. Ainda há muitas criticas e negatividade em relação aos emigrantes por causa do fenómeno dos "avec" ou franceses de Alcochete, alguns dos muitos portugueses em França que regressam ruidosamente em Agosto e se fazem ouvir em "franciú" um pouco por todo o país. A nova emigração portuguesa poderá, a longo prazo, mudar a imagem dos compatriotas que deixaram Portugal. As portas estão abertas, há quem as atravesse e quem apenas se entretenha a comentar o que estará do lado de lá.

Oh, que famintos beijos na floresta!
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tão suaves! Que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã e na sesta,
Que Vénus com prazeres inflamava,
Melhor é experimentá-lo que julgá-lo,
Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo.

de Luís de Camões
in “Os Lusíadas” Canto IX, 79-83

24 comentários:

Geraldo Geraldes disse...

Disseram-me que ele disse que as semelhanças entre portugueses e polacos residiam no facto de ambos terem duas pernas e dois braços, pois tudo o resto era diferente.
Ora, a foto prova que definitivamente no que a polacas diz respeito, se há coisa bem diferente das portuguesas são as pernas.
A ver se alguém posta um vídeo para melhor ver as pernas....perdão, o Misha na TVI

Anónimo disse...

Que as polacas são giras e boas, até aceito; agora, q TODAS as polacas têm pernas melhores q TODAS as portuguesas, discordo. Isso é de quem nunca olhou p umas pernas de jeito em Portugal - mas q as há, há!

IPL

Ricardo Taipa disse...

Todos sabemos que, regra geral, os portugueses e portuguesas têm perna curta em comparação com os europeus do Norte e do Leste. Não é que seja grave mas retira alguma proporcionalidade ao corpo. :))

@ IPL

Pois, falas bem não fosses ter sangue francês a correr nas veias.

Anónimo disse...

Ahahahah! Francês e espanhol, Sr. Taipa!

IPL

PM Misha disse...

Obrigado pela apreciação ao desempenho e às pernas da minha garina q:)
Importa salientar, para quem não sabe, que eu fui ao programa como segunda opção uma vez que foi o Ricardo quem foi convidado mas que por não estar em Portugal sugeriu o meu nome.
A propósito disso, daqui a alguns dias vou regressar a Varsóvia mas levo um carro. É desta que vou a Łódż para almoçarmos!

maria zubrowka disse...

Também vi o program e gostei muito dos temas que se discutiram. Revi-me em muitas das opiniões que fui construido também, especialmente durante os anos na Holanda.

Agora para a javardice: como a minha onda é mais gajos, eu cá sou de opinião que as pernas dos homens portugueses são de longe melhores que as dos polacos, eheh :) e nem me vou alongar quanto á parte traseira logo a seguir às pernas :)

Ricardo Taipa disse...

@ Nuno - As verdades são para serem ditas! Não desfazendo a experiência das nossas compatriotas a locutora estava era mais interessada em ouvir a tua história que era a mais interessante e original. Venha esse almoço! Diz-me quando para pedir folga. :)

@ Maria - Quando falo de perna curta no homem português trata-se de uma generalização. Longe vão os tempos do português de metro e cinquenta. As novas gerações são bem altas em comparação com aquelas de há 30 e 40 anos atrás.

Quanto às "dupas" lusas deve ser verdade, já não é a primeira vez que oiço tal comentário.

Geraldo Geraldes disse...

Eu vou-me abster de opinar sobre se as pernas das polacas são melhores ou piores do que as das portuguesas. São gostos. Tempos melhores já os tivemos: http://www.youtube.com/watch?v=nOL1kOubpBU . Agora, 30% das adolescentes têm excesso de peso :(
Mas já agora, será que os reformados lá em casa perceberam que as convidadas do Misha eram a namorada e amigas, ou terão ficado convencidos que na Polónia há poligamia??
Ps: Para os mais esquecidos, de onde veio a modelo da bilha da Galp?http://www.youtube.com/watch?v=lkwMBDhP_bM .

PM Misha disse...

geraldo,
ocorreu-me isso, que eu tenha dado a ideia de ser um playboy do caraças e de ter trazido aquela manada de polacas para esmifrar sozinho em casa q:D
mais fama que proveito.

Ricardo Taipa disse...

Estás fdd Misha. O Zézé Camarinha vai ficar saber que afinal não é o último algarvio a mostrar a sua "machidade". :))

Geraldo Geraldes disse...

O Misha, é que da tua parte várias vezes li acerca do campeonato da peitada, que vinhas para Portugal para a peitada, peitada para trás e para a frente.
Mas aquilo que se viu na TV(I) foi um campeonato da pernaça, com 3 competentes internacionais :).
Oh Taipa, fosga-se, Zezé só há um. E se bem me lembro, o Misha quer distância desse rótulo.

Ryan disse...

Epa... mulheres boas existem em todos os cantos do mundo. Gostos cada um tem os seus. Obviamente que tenho as minhas preferencias tambem como sera obvio. Continuo a pensar que as polacas transbordam beleza assim como as Portugueses. A diferenca esta apenas e so de nos tugas gostarmos da diferenca. E elas ainda bem, para nos, que alinham no mesmo jogo.

Ricardo Taipa disse...

Bem, onde isto já vai... quando isto mete "gajas" pelo meio rapidamente se torna uma tasquinha portuguesa onde cheira a óleo e abundam os pastéis de bacalhau com as típicas toalhas de mesa plásticas aos quadrados brancos e vermelhos. :))

Por isso e enquanto deslizo o meu palito de um canto ao outro da boca e bebo um copo de três digo: falemos mas é dos emigrantes e da entrevista ao Nuno.

Geraldo Geraldes disse...

Conversando seriamente, não me espanta que os portugueses possam ser bem vistos em paises como os EUA. Normalmente, as pessoas licenciadas que emigram são os mais ambiciosos e curiosos. Além do mais, estando no estrangeiro, se uma pessoa for profissional tem a tendência para se esforçar um pouco mais de forma a provar aos daquele país que se ali está é porque é bom.
Mas por exemplo, quando se analiza a Polónia, basicamente vejo duas perspectivas para se contratar um português: a) ou para trabalhar numa empresa portuguesa porque se acha que os locais não têm capacidade/conhecimento/mesma cultura para as funções (e isto tanto pode ser para director geral como para operário de cofragem em construção.
b) para trabalhar em empresas onde o factor fundamental é mesmo a língua portuguesa como nativo, e mesmo sendo uma multinacional, estão dispostos a pagar mais um pouco
É que na Polónia, a perspectiva é diferente da Alemanha ou Suiça. Sítios onde o facto de um português estar disposto a fazer o mesmo trabalho por menor preço que um local é decisivo.

Time Traveller disse...

Olá Ricardo :)

Antes de passar férias na Polónia, comecei a ler este blogue e ajudou-me em algumas coisas pelo que é com enorme gosto que aqui deixo um pedacinho das minhas férias :)

Ora espreita em: http://www.youtube.com/watch?v=4IFeM7cGcUc

Foi intensa a visita a Auschwitz e a Birkenau.
A História contada - na escola, em filmes, etc. - não chega.
É preciso estar lá.
Pisar aquele chão.
Sentir o peso do silêncio.
A consternação espelhada no rosto de tantas pátrias visitantes.
O cheiro daquela terra.
É preciso ver que o Sol que nasce para nós, algures por detrás de uma colina, e que atravessa, livre, o céu, para se ir esconder, do lado oposto, sobre o mar azul; é exactamente o mesmo Sol que ali desponta e se põe, sempre rasgado por arame farpado.
É preciso fechar os olhos.
Deixar secar a garganta.
Olhar em volta e imaginar-nos sem aquilo que nos distingue do visitante do lado - sem a nossa roupa, os nossos sapatos, o nosso perfume, o nosso penteado, as nossas jóias, o nosso nome, a nossa higiene, a nossa memória, a nossa esperança.
É preciso sentir a dor humana que se foi destilando ao longo dos anos de martírio.
Ela está lá, agarrada aos tijolos de cada parede, à madeira de cada beliche, ao ferro de cada arame farpado, à louça de cada latrina comum.
Pergunto-me: o que resta a um ser a quem se roubou tudo? Bens materiais, saúde, família, nome, status, dignidade, memórias e esperança...
Sim, o que resta?
Talvez só a fé em Deus.
E, ironicamente, no Homem.

Time Traveller disse...

Esqueci-me de colocar o meu link de blogue.

http://timebite.blogspot.com

Ricardo Taipa disse...

Olá Time Traveller, obrigado pelas generosas palavras. ;-) Vou seguir o seu blogue.

Partilho as mesmas sensações aquando da minha visita a Oświęcim ou Auschwitz. É de ficar estarrecido pelo modo como o ser humano pode tratar o seu semelhante, pelo total desrespeito pela vida humana e inexistência de sentimentos.

Como disse Ghandi: A não-violência é a maior força à disposição da humanidade. É maior que a maior arma de destruição criada pela ingenuidade do Homem.

Rita disse...

Mulheres á parte quem me ajuda a traduzir isto!!! :) bigada

Jesteś najśliczniejsza i najfajniejsza laska jaka poznałem w moim życiu i nigdy Cie nie zapomnę, zawsze będę Cie milo wspominał. Chujnia ze tak się różnimy bo już bym stal pod twoimi drzwiami i prosił Cie zebys ze mną była.

PM Misha disse...

Rita,

é um elogio, um tanto ou quanto carroceiro mas um elogio.
ele elogia-te ao ponto de querer plantar-se na tua porta e rezar para que sejas dele (assustador!)

Rita disse...

Assustei-me então!!!!
Bolas!

Rita disse...

Obrigada!
È uma historia complicada...
Pensei que estivesse a gozar!
Obrigada.... beijinhos

Anónimo disse...

É triste ver que uma das coisas que levam os portugueses embora é o aspecto físico das polacas. Mas olhando para o tipo de portugueses que está lá emigrado muito me espanta arranjarem namoradas dessas. Por acaso sustentam-nas? só pode! LOL Pelo que ouvi dizer elas não são grandes apreciadoras de trabalhar e da última vez que estive nas caraíbas andavam lá duas muito jovens com dois cotas. lol

Ricardo Taipa disse...

Cara anónima. Suponho que seja frustrante saber que as polacas são de facto um dos motivos para alguns portugueses emigrarem.

Acerca dessas polacas nas caraíbas só posso dizer que putas há em todo o lado inclusive putas portuguesas, não são elas nenhuma referência no que toca a virtude.

No meu caso se fosse atrás das polacas pelo corpo então seria um pobre de espírito que apenas lhe interessa o mundo material. Acontece que no meu caso encontrei uma polaca que não pretendo trocar por outra nacionalidade qualquer e tão pouco pensaria em sustentar alguém, fazemos tudo a dois com alegria, em harmonia e felicidade.

Seja também feliz e boa sorte nas caraíbas, pelos vistos a concorrência é renhida.

Octávio Oliveira disse...

O mais importante neste "chat" é que o Nuno está feliz! Eu sou casado com a mesma mulher há 52 anos e é portuguesa...mas podia ser polaca, embora a Polónia seja dos poucos países que não conheço aqui na Europa...Teve que trocar Portugal pela Polónia aconteceu!A Pátria é onde nos sentimos bem sem recear o dia de amanhã! Seja feliz Nuno. Um Abraço dum compatriota com 75 anos! Octávio Oliveira oliveira.octavio@sapo.pt