Pairava no ar a ameaça nuclear. A Polónia e a República Checa tinham-se atrevido a desafiar o outrora aliado soviético, o Grande Irmão - chapadas na cara do Kremlin, 20 anos depois do divórcio, tinham de ser retribuídas com mão pesada, sem piedade, à boa maneira russa.
Os russos disseram-no abertamente. No caso da Polónia e da República Checa instalarem um sistema anti-míssil norte-americano no seu território estariam sujeitos a serem atacados com misseis nucleares, o Kremlim apontaria de imediato ogivas nucleares em direcção a Polónia e à República Checa, o enclave de Kaliningrad seria a plataforma ideal para terem os polacos de rédea curta.
O presidente polaco Lech Kaczyński não cedeu às ameaças de Moscovo, as negociações com o então presidente George Bush e as contrapartidas dadas pelo Pentágono (instalação de uma fábrica de material aeronáutico na Polónia) estavam alinhavadas. As negociações e expropriações de terrenos eram discutidas em acessos debates com os proprietários rurais com direito a transmissão televisiva.
O escudo anti-míssil serviria para defender o Ocidente de alegados ataques nucleares por parte de países como o Irão e do "eixo do mal" mas com a eleição de Barak Obama o complexo plano do Pentágono foi repentinamente cancelado, na realidade souberam primeiro os jornais americanos do que Varsóvia e Praga. A Polónia e a República Checa não irão ter nenhum "guarda-chuva" norte-americano - o novo sistema será "flexível" e prevê o recurso a plataformas em navios de guerra e instalação do radar de detecção no Cáucaso.


