quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Declinação - a dor de cabeça!

Havia um sketch do Herman José que dizia "a língua portuguesa é muito traiçoeira", o que até é verdade se atendermos ao facto de que, por exemplo, Camões e Camilo tiveram as suas reconhecidas cacofonias como "alma minha", no caso do poeta zarolho, e o conhecido "e assim escapei do..." no caso do escritor cego.

Contudo não temos declinação apesar dos inúmeros artigos definidos e indefinidos que precedem a maioria das nossas frases e conjunções. A língua polaca tem, além de sons complicados, sete tipos de declinação, ou seja, formas específicas de acabar as frases.

Em polaco, Polónia diz-se Polska mas quando queremos dizer que alguém vem para a Polónia alteramos Polska para Polski, do mesmo modo que automóvel diz-se samochód mas parque de estacionamento automóvel diz-se parking samochodowy!

As próprias marcas de automóveis não fogem a estes sete casos de declinação e assim é comum ouvirmos Fiatcie, Peugeocie, Mercedesa, Fordzie etc.

O meu nome por vezes também passa a ser alterado para, imagine-se, Ricarda!!!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Emigrantes portugueses na Polónia - Afinal quem somos?


E entre gente remota edificaram Novo Reino, que tanto sublimaram;


Ó que famintos beijos na floresta,
E que mimoso choro que soava!
Que afagos tão suaves, que ira honesta,
Que em risinhos alegres se tornava!
O que mais passam na manhã, e na sesta,
Que Vénus com prazeres inflamava,
Melhor é experimentá-lo que julgá-lo,
Mas julgue-o quem não pode experimentá-lo.

A Ilha dos Amores, estrofe 83 do Canto IX



Portugal é um país de emigração, desde tempos longínquos que emigramos para todos os continentes estabelecendo em inúmeros casos comunidades perfeitamente integradas e reconhecidas pelos locais, como por exemplo nos EUA ou na África do Sul.

A emigração portuguesa no século XX foi, em muitos casos, dramática e fruto do desespero, daí terem chamado o salto (passar a fronteira fugindo ao controlo da PIDE) à vaga de emigração para a França, Alemanha, Luxemburgo e Bélgica nas décadas de 50, 60 e 70.
Durante o regime de Salazar emigram para a Europa mais de 1 milhão de portugueses o que equivale praticamente à população branca das nossas ex-colónias.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Queijo regional Oscypek - Eu bem queria mas...


Eu bem queria gostar de Oscypek mas não consigo... desculpem...

O queijo Oscypek é um dos queijos mais tradicionais da Polónia, oriundo da região Sul do país - da cadeia montanhosa dos Tatras - o Oscypek é feito de queijo de ovelha não-pasteurizado, salgado e posteriormente fumado, normalmente é moldado em forma de algo que se assemelha a uma granada de mão ou a um RPG soviético.

Experimentei comer o dito com uma cerveja a acompanhar mas não ajudou muito. Na bela vila de Zakopane cheguei a comer um pedaço bem grande cortado a navalha e in loco por um dos muitos vendedores de uma das muitas lojas que vendem artigos regionais e tradicionais mas com um "very good and different..." (na altura não falava polaco) acabei por evitar o que diria hoje em dia - oh kurde!!! Dziwnie smakuje!!! (brincadeira).

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Vaga de frio


A vaga de frio que se sente na Europa traduz-se por diferentes temperaturas de acordo com a localização geográfica de determinados países, aqui na Polónia a vaga de frio significa temperaturas negativas mesmo durante o dia e muita queda de neve.
Dizem os meteorologistas que lá para Sábado deve melhorar mas por enquanto ainda tem sido bastante duro conduzir nestas condições.

Ao fim de algum tempo habituamos-nos à rotina de encontrar o carro coberto de neve logo pela manhã e ao ritual de escovar a mesma ao longo da toda a carroçaria.
Apesar de alguns condutores arriscarem devemos sempre limpar toda a neve dos vidros, faróis, indicadores de mudança de direcção, farolins, luzes de matrícula e chapas de matrícula não só pela segurança acrescida mas também para evitar as pesadas multas que se aplicam aos infractores.

Médios são obrigatórios todo o dia e durante todo o ano.

Uma astúcia que alguns condutores praticam para aquecerem o motor mais rapidamente consiste na aplicação de um cartão/chapa por trás da grelha do capot.


O pico do frio (-19) foi na ultima Segunda-Feira e custou-me uma bateria nova (cerca de 100€) pois a antiga, com a queda repentina da temperatura, perdeu muita carga e não foi suficiente para rodar o motor ao fim de algumas tentativas.
Diga-se de passagem que um motor Diesel em países tão frios talvez não seja a melhor opção para o Inverno mas, o que me vai valendo, é o facto de serem apenas picos de temperaturas baixas normalmente provenientes de frentes frias na Sibéria ou na Escandinávia (Lapónia)...




A velocidade a que circulo dentro da cidade, mesmo com pneus de Inverno, ronda os 40 ou máximo 50 quilómetros hora pois quando neva copiosamente os limpa-neves da cidade não conseguem dar vazão a tantas estradas cobertas de neve.

Quando isto acontece deixamos de ler a sinalização das estradas e perdemos um pouco a noção das faixas de rodagem, faz-se tudo em câmara lenta e com extrema cautela.

No meu caso uso muito poucas vezes o travão de mão para ajudar a negociar alguma curva mais complicada na qual a frente aponta bastante.
Um cheirinho de travão de mão e contra-brecagem é suficiente e por vezes até se torna divertido.




segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Feliz Ano Novo - mas não para todos

Fogo de artifício na noite de fim-de-ano (Sylwester) na Polónia

Foguetes e morteiros na Faixa de Gaza

Da janela da sala consigo ver a chaminé da central-hidroeléctrica de Bałuty, fumega abundantemente para aquecer estas ultimas noites gélidas de -10 graus, na televisão vejo fumo a levantar-se das ruas na Faixa de Gaza depois dos bombardeamentos de Israel.

Na passagem do ano foi o tradicional festejo polaco com os foguetes Made in China e do fogo de artificio. A nossa cadela tremia por tudo quanto era lado, língua de fora e respirar ofegante com receio das explosões mas o nosso filhote dorme o sono dos justos completamente alheio ao "bombardeamento" nas ruas; às duas da manhã a calma instala-se. Os foguetes esgotaram-se, os polacos foram dormir, uns deixaram-se entorpecer pelo álcool e outros festejam em discotecas e clubes até de madrugada.

As analogias entre o crepitar dos foguetes e o som de explosões, entre o fumo na chaminé e nas ruas de Gaza, o sono de uns e o pânico de outros invade-me o espírito, contudo alivia-me o pensamento de reconhecer e apreciar o simples facto de que vivemos em paz!