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segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Filas na Polónia - Kolejka

Musiałówna Anna, <> http://www.fotopolis.pl/index.php?g=325&aktz=3

Nem sempre mas muitas vezes tenho reparado que nas filas dos supermercados e mercearias polacas sou quase que empurrado pelo parceiro/a atrás de mim, certas vezes levo com o carrinho nas nádegas, outras tenho uma velhota a entrar em rota de colisão enquanto digito o código do cartão no terminal...

Nos primeiros anos era algo que me irritava solenemente mas com o tempo fui-me habituando - que remédio! - a esse tipo de situações. Se repararem em muitas filas de supermercado mas especialmente em talhos, padarias e pequenas mercearias os polacos estão praticamente colados uns aos outros e não se importam com tal.

Procurando uma eventual explicação para tal "hábito cultural" apenas me ocorreu que só podem ser resquícios do tempo das senhas de ração comunistas e do stress que esta gente tinha para poder comprar algo nas lojas antes que esgotasse, provavelmente um buraco na fila era o garante de alguém chegar primeiro à caixa e pedir um dos últimos bifes ou papo-secos disponíveis nas prateleiras!

O comunismo deixou marcas neste povo especialmente nas gerações mais antigas, enquanto que em Portugal tínhamos as mercearias do "Senhor Zé", com a sua típica balança Avery e as caixas de fruta na entrada, sempre com produtos disponíveis e a retalho, na Polónia o sistema era totalmente diferente e recebiam-se porções de acordo com aquilo que o governo considerava necessário.

Vejam o exemplo de uma senha de ração (Kartka) na imagem:

O P-3 constituía-se por 14 quadrados correspondentes a vários artigos como por exemplo, farinha, açúcar (250 ou 1500 gramas), cigarros (6 maços), álcool (uma garrafa), chocolate (sucedâneos pois não havia mesmo chocolate de cacau), gorduras (375 gr), 100 gramas de detergente etc, no centro assinava-se o nome e morada do comprador.

A agravar este sistema "igualitário" do regime das senhas estava a disponibilidade da mercearia pois havia meses em que tudo esgotava rapidamente ou não estava disponível portanto os quadradinhos de nada serviam! Claro que para fazer frente às necessidades florescia o mercado-negro - dito o maior da Europa - e os esquemas fura-vidas que mais tarde viriam a formar algumas moles de "bebavundos" que ainda proliferam nas ruas da Polónia.

Vai demorar algumas gerações até certos hábitos mudarem mas se pensarmos que, de acordo com uma recente sondagem na Alemanha, 60% dos jovens nas escolas secundárias não sabiam o que era a RDA e a RFA então estamos, sem duvidas, no bom caminho...