domingo, 15 de maio de 2011

Polónia, até quando?

Uma pergunta que me faço frequentemente. Até quando tenciono viver na Polónia? Para onde ir? Valerá a pena arriscar e emigrar para outro país? 

Ao longo destes sete anos de emigração na Polónia muita água correu debaixo da ponte, foram os melhores anos da minha vida, a inebriante experiência de ser pai e de formar família. Nada é como dantes, há claramente um antes e um depois. Tudo aconteceu fora do meu país, longe da família portuguesa, na Europa Central, num país onde muitos dos seus habitantes não querem viver porque consideram não haverem condições. Um país de emigrantes por excelência.

Confesso que já pouco me atrai na Polónia. Um país ideal para os "solteiros e bons rapazes", não para o "bom chefe de família" - mesmo que seja simpatizante do Futebol Clube do Porto. Não sou do tipo de andar no fio da navalha com a mulher nem de deixar para trás a família por caprichos de saias. Sou demasiado sério, demasiado imaginativo. Depois, aqueles dois luso-polacos de olhos castanhos e a minha "polka" de eleição são aqueles que me motivam, a razão de estar num país que na realidade pouco ou nenhum suporte dá às famílias que contribuem para o aumento da taxa de natalidade.
Quando decidimos fazer vida na Polónia, depois da frustrante experiência portuguesa, sabíamos que tínhamos uma idosa com problemas de locomoção para tomar conta, a minha sogra. Não abandonamos os velhos, não queremos um dia ser abandonados pelos filhos e no nosso conceito, família é família.

A perspectiva de emigrar, por exemplo, para o Reino Unido é real, não tanto pelo valor da Libra Esterlina mas mais pelas diferenças culturais e pelo sistema social e cultura no trabalho na qual os ingleses estão a anos-luz de distância dos polacos e dos portugueses. Uma decisão destas não se toma da noite para o dia, vai-se amadurecendo, requer muita informação, vai-se tornando mais clara à medida que se pesam os prós e os contras. Longe de mim em querer ser mais um emigrante a viver à custa dos social beneficts do governo britânico e de Sua Majestade. A emigração de arrumar quartos de hotel, de servir em casamentos ou em pubs de bêbados britânicos está fora de questão. Para isso nem inglês é preciso falar. 

Por outro lado os ingleses já foram mais receptivos a emigrantes. Os mais de dois milhões de muçulmanos entre os quais alguns que exigem a Lei da Sharia em território britânico - negando o Estado de Direito e a Democracia - e lutam por o Islão em manifestações de ódio ao Ocidente, mais os reminiscentes das suas ex-colónias e também os polacos e outros europeus bem como como africanos, magrebinos e americanos do Sul estão a trabalhar e a viverem na velha Albion. Muitos não falam inglês, não querem aprender e conhecem o sistema de segurança social melhor que muitos ingleses. Usam e abusam do mesmo não contribuindo para o bem-estar de todos, são a negação daquilo que é a segurança social, da luta das classes trabalhadores desde a revolução industrial. A velha ladainha do "por causa de uns pagam outros". 

Até que ponto uma emigração cheia de boas intenções e feita nas regras do jogo não será metida no mesmo saco que aquela feita na base de esquemas e trabalho pago abaixo da média dos salários reais?

O futuro o dirá. As crianças, a crescerem na Polónia, perfeitamente integradas no país sem que ninguém as discrimine por terem um pai estrangeiro são, em última instância, o verdadeiro moderador e decisor nesta questão.











6 comentários:

Ryan disse...

Antes da Polonia vivi noutro pais Europeu que talvez seja uma dos que mais favorece a familia. O problema e exactamente o mesmo que em Inglaterra. Desculpem a linguagem mas ha uma certa corja que mama dos beneficios na Europa e cospem na cara dos Europeus. Pessoalmente deveriamos tomar medidas porque se mudamos temos de contribuir todos e nao so alguns. e dificil ao inicio mas depois tudo se compoe. Na Polonia um gajo que se lixe porque aqui e mais o dar para o Estado. Vejam la se os arabes poem ca os pes. Nao tenho nada contra eles mas a mentalidade deles e de certas pessoas que vivem a custa do Estado comeca a irritar quem trabalha dignamente.

Laurindo disse...

sinceramente, deixar a polonia pra criar sua familia é uma burrada. Até concordo da questão dos maiores benefícios sociais e economicos do Reino Unido. Mas a qualidade de vida que se tem para criar os filhos é muito superior na polonia. O capital social polaco é superior.
Tu achas que vai ter a mesma segurança de passear nos parques da polonia que tem na inglaterra? De jeito nenhum, vá com sua familia pra um parque qualquer de Londres e veja como alguns paquistaneses vão te incomodar.

Desculpe meu portugues precário, sou italiano.

Ricardo Taipa disse...

Obrigado pelas vossas palavras.

O que tenho feito é recolher opiniões. Grazie mille Laurindo! :)

Depende das zonas mas aqui em Łódź há locais, especialmente no centro da cidade, que são pouco recomendáveis e onde rapidamente podemos encontrar problemas sem que os tenhamos pedido.

Pedro Jarnalo disse...

Caro Ricardo, também sou casado com uma bela polaca e vivemos há cerca de 5 anos em Inglaterra, numa pequena cidade rural onde 1/3 da população é estrangeira, na sua maioria polaca. A cidade chama-se Boston, mas em jeito de brincadeira batizei-a de "Bostonów" :) É com agrado que de vez em quando dou cá um salto ao teu blog.
De facto tudo o que referiste em relação ao sistema de segurança social é verdade. Existe uma "grande" minoria que suga completamente o dinheiro do estado. Muitas mulheres engravidam de propósito só para conseguirem uma casa da câmara e benefícios sociais. Há gerações de ingleses que nunca mexeram um dedo para trabalhar.
Desde a entrada da Polónia na EU que a Inglaterra foi praticamente invadida por emigrantes polacos em busca das tais libras, as quais são ganhas à custa de bastante trabalho, trabalho este que muitos ingleses não sabem ou recusam fazer. Esta situação criou um clima muito tenso entre as minorias étnicas e a população indígena, e isto é ainda mais notório em localidades rurais como esta.
Para quem tem filhos, como é o teu caso caro Ricardo, a Inglaterra pode tornar-se num verdadeiro pesadelo. E porquê? Quando as famílias chegam cá sem saber como funciona o sistema de ensino, as crianças são matriculadas na primeira escola que encontram, geralmente de baixa qualidade. Neste país o ensino ainda é muito sectário. Sei do que falo porque trabalho numa escola onde a maioria dos alunos é proveniente de outros países. A qualidade de ensino roça o ridículo e a disciplina é muito difícil de manter. Aqui os alunos não chumbam de ano e os trabalhos de casa são anedóticos. Muitos dos alunos estrangeiros que temos são vítimas de racismo. Os miúdos estrangeiros normalmente terminam o ensino obrigatório sem obterem as qualificações necessárias para prosseguir para o ensino superior. Esta é a dura realidade. O que vejo por aqui é muito triste... homens e mulheres que se fartam de trabalhar num país que não é o seu, enquanto os filhos se perdem neste cultura facilitista e de falsas expectativas. Espero que a minha opinião te ajude de alguma forma.
Um grande abraço e parabéns pelo blog!

Ricardo Taipa disse...

Caro Pedro. Obrigado pelas amistosas palavras. O seu comentário foi porventura o melhor e o que mais precisava de ler.

Outras pessoas que sondei não têm filhos e como tal nem sequer uma ideia do que é o ensino no Reino Unido.

O meu muito obrigado!

Pedro Máximo de Macedo disse...

Força Ricardo :)