sexta-feira, 2 de julho de 2010

Feira e supermercado em Bałuty

Sou daquelas pessoas que não aprecia peixe, até sou capaz de os comer mas não fico com água na boca quando penso em sardinhas, bacalhau, lampreia, solha, robalo, polvo, chocos e outros peixes que em Portugal consumimos frequentemente. Sim eu sei… o peixe tem fósforo, faz bem e tal...

 A minha mente criativa vê sempre duas marquesas com gelo e um sanatório do tempo do Comunismo em vez de uma peixaria, é que nem abre o apetite!

Aqui em Łódź o único peixe fresco que vejo são as carpas em aquário – especialmente durante o Natal quando os polacos as compram massivamente retirando o peixe vivo do tanque, deixando-o morrer dentro de um saco plástico. Quando assentamos arraiais em determinado local, inevitavelmente acabamos por escolher um supermercado onde fazemos compras mais frequentemente, no meu caso é o Tesco, uma cadeia de hipermercados e supermercados inglesa. Arranjar peixe fresco é complicado, Łódź fica a mais de 300 quilómetros do mar Báltico e a frescura acaba por ser relativa. No Tesco a ideia de frescura na peixaria são umas bancas manhosas com gelo artificial e uma máquina de fazer (cuspir) gelo. Os peixes em exposição têm sempre um aspecto condizente com a peixaria e na sua maioria vendem-se peixes gordos, aqui na Polónia há hábitos diferentes e apreciam, entre outros, o peixe fumado.

 
 O molho de alhos e o pepino a 2 Złoty. Fica em conta.

Por vezes também vou à feira da freguesia, o mercado de Bałuty. Entre vendedores de hortaliças, frutas e banha da cobra surgem os contrabandistas de tabaco russo e ucraniano. Uma nova “moda” em resposta à escalada dos preços do tabaco. Uma simples banca feita com uma mesa de piquenique, um Tupperware com as moedas e as notas e dois tipos de aspecto dúbio, tendo um deles um walkie-talkie na mão para ser avisado caso apareça a polícia, são o contacto com o crime organizado. A procura é muita, o tabagismo na Polónia está bem enraizado e muitos polacos não se importam de fumar folhas secas do parque moscovita  Gorky em troca de pouparem uns złoty. Não sou fumador mas o aroma que esses cigarros de contrabando emanam e o cheiro de uma pilha de pneus velhos a arder numa sucata não é muito diferente.

A desejada kapusta (couve) que os polacos tanto adoram. 

O calçado tem sido outro bico de obra. Se não queremos gastar muito dinheiro compramos umas chinesadas quaisquer que, ao fim de dois meses, estão com a sola na alma. Aconteceu-me recentemente com uns moccasins que comprei. Desfizeram-se no calcanhar do sapato esquerdo, literalmente fizeram um buraco! Foram para o lixo com pouco mais de três meses.

Precisava era dos ciganos, como na feira de Famalicão, com as “t-chortes” a 5€ e as calças a 10€. Aqui não há ciganos feirantes e os que vejo parecem ser endinheirados, não falam espanhol nem têm carrinhas Ford Transit brancas. Quando for a Portugal tenho de me desforrar, faz-me falta as pechinchas e ver as “madames” e as betinhas famalicenses, envergonhadas, a compraram roupa de contrabando e contrafacção nos ciganos.

5 comentários:

Ryan disse...

Falas em peixe e apesar de ter almocado a pouco... ja tou com fome de novo.
Epa digam o que quizerem tenho saudades dos mercados dos ciganos Portugueses. Cheguei a comprar coisas naquela de poupar e algumas ate me duraram ate mais do que artigos que dei em lojas ditas normais e de qualidade supostamente superior.
AHAHAAHAH essa dos pneus velhos a queimar... deixou-me a rir aqui sozinhos

Geraldo Geraldes disse...

Sugiro então que juntem o útil ao agradável: sensibilizar ciganos a viver em Portugal para irem para a Polónia. Com muitíssimo gosto até poderiam vir à minha terrinha "recrutar" aqueles que têm o acampamento perto do meu estaleiro/escritório.
Pqp, nunca pensei que alguém no seu perfeito juizo pensasse (quanto mais deixar por escrito) que tem saudades de ciganos....

Anónimo disse...

O melhor é qdo as madames querem ser atendidas como são nas boutiques, ou vão dizendo mal enqto inspeccionam o artigo...Anda lá matar saudades dos ciganos!

Bjns

Inês PL

Ricardo Taipa disse...

@ Ryan - Acredita que esse tabaco trazido para a Polónia escondido em autocarros do tempo do Nikita Khrushchev cheira a fogueira.

@ Fernando. Compreendo mas acredita que as feiras aqui em Łódź precisavam de umas bancas ciganas. Vejo muita fancaria.

@ Temos programa Inês. Quando for a Vila Noba de Famalicon temos de ir feirar!

Anónimo disse...

Bila Noba de Famaliquéum, Ricardo...Já te esqueceste da pronúncia foleira armada ao chique?

Bora lá fazer um piquenique nos ciganos!

Beijinho

Inês PL