sábado, 30 de janeiro de 2010

O artigo definido

A Polónia não tem condições climatéricas para o cultivo bem sucedido da vinha e por consequência do vinho; os solos até são férteis, a água abunda mas o sol e a geada a par com o frio gélido dos Invernos torna esta pratica milenar impensável nestas latitudes. Nos tempos da Cortina de Ferro a Bulgária era dos poucos países do Bloco Soviético a produzir vinho e, diga-se de passagem, até nem me parece mau - pelo menos hoje em dia (não sei como era antigamente).


Os polacos são conhecidos internacionalmente por "beberem bem" e quem conhece a Polónia seja via Erasmus, férias ou negócios com estadia prolongada sabe bem que no que diz respeito a álcool e ao seu consumo a Europa Central e de Leste está nos lugares da frente. Portugal, por exemplo, sendo um pacato países da Europa do Sul com clima ameno e solos férteis é desde tempos imemoriais produtor de vinho e grande consumidor também. O polaco talvez beba em maior quantidade em dias de festa ou ao fim-de-semana mas não tem o costume de beber o seu "copinho de vinho"  às refeições, abrir uma garrafa só porque lhe apetece ou tragar uns copos na taberna ou no café da aldeia. No caso polaco o vodka e cerveja são as bebidas nacionais, o vinho fica para segundo ou terceiro plano a par com o whisky, licores e espumantes.

Amanhã o nosso filho Marcel faz um ano - passou num piscar de olhos! - e para agradar aos convivas polacos comprei uma garrafa de vinho tinto português meio-seco, da região centro e de sabor adocicado que os polacos designam de półsłodkie. Não gosto de vinhos meio-adocicados e desisti de tentar oferecer vinho seco a quem não o aprecia, não vou mais desperdiçar uma boa pinga nacional com quem se regala com vinhos adocicados. Para mim e para a minha mulher (que é polaca mas conhece o bom vinho português) aguarda-nos um tinto da região do Douro bem seco ou witrawny como por aqui se diz.

O titulo desta mensagem prende-se precisamente com o tal vinho adocicado que comprei por 19.99 złoty no hipermercado Tesco de Bałuty. Todos sabemos o fascínio que a Espanha gera no estrangeiro, um país que recebe mais de 50 milhões de turistas todos os anos, que tem uma industria hoteleira gigantesca, uma máquina de promoção bem oleada, oferta de pacotes de férias diversificada e por vezes mais barata que em Portugal, o país do Flamenco, das sevilhanas, dos gitanos e das castanholas, da catedral de Barcelona, do Museo del Prado, do touro da Osborne em colinas esquecidas, de Miró, de Picasso, Salvador Dali, Pedro Almodôvar, Cervantes, Torquemada, Escrivá de Balague e a Opus Dei, a Espanha dos touros de morte, das praias banhadas pelo mediterrâneo, o país do Verano Azul e do Xanquete.

Se não podes combater o inimigo junta-te a ele! Deve ter sido esse o lema da criação do vinho Los Companheiros, uma espécie de híbrido entre a supressão do nosso artigo definido "os" por o castelhano "los" e o esquecimento do Companheiros (com lh) em vez de Compañeros. Um rótulo com três galos pretos e as cores da bandeira nacional que alguns dizem ser resquícios da bandeira da Carbonária com inspiração maçónica iberista.


À la saúde! 

2 comentários:

zekarlos disse...

ehehe Adorei o blog e, em particular, este post.
Conheço vagamente a Polónia, já visitei Lodz (a minha namorada é natural de Zgierz).
Para já vivemos em Portugal, mas nunca se sabe se o meu futuro passará por aí!?
Deixo aqui o link do blog da minha namorada (Kasia), que nos dá a sua visão do nosso país (pelo menos as coisas boas):

http://moja-portugalia.blogspot.com/

Um abraço

zekarlos disse...

Ahh, e como residente na Polónia, pode ser que estejas interessado em participar num website que a minha namorada está a fazer sobre eventos culturais na Polónia, tipo motor de pesquisa, em que qq pessoa se pode registar e anunciar ou pesquisar qualquer tipo de evento cultural...

http://www.kultura.info.pl/

Ainda está numa fase inicial mas com o tempo pode ser que venha a dar frutos... pode ser que pessoal teu amigo possa colaborar também.

Um abraço e obrigado