quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Hola como estás? Bem, obrigado!

Não há volta a dar. Sei que as pessoas têm as melhores das intenções em saudarem os portugueses em castelhano mas não sabem que há mais de 800 anos um filho bateu na mãe, prendeu-a numa masmorra e mandou para casa o amante dela para poder formar um país que se chamaria de Portugal.


Na empresa onde me encontro a trabalhar temos um ambiente multi-cultural e internacional. O inglês - como em quase tudo - é a língua ferramenta mas tanto podemos estar a falar inglês como passar para o português (incluindo português do Brasil), francês, espanhol, polaco ou idiomas que não domino como italiano, holandês, alemão e até dialectos da ilha de Curaçao nas Antilhas holandesas. 

Até há bem pouco tempo ainda não haviam naquela firma portugueses - essa espécie rara de europeu do Sul; muito faladores, com o tom de voz sempre algo acima do normal (especialmente quando se juntam), com uma estranha apetência para discutirem apaixonadamente futebol e mulheres - com a melhor das intenções entenda-se - que param a meio de um corredor ou de umas escadas para conversarem, que precisam do expresso para funcionarem e do almoçinho (os morfes) para sentirem o sangue correr nas veias, que andam de um lado para o outro quando falam ao telemóvel e até conseguem andar nas calmas durante a queda de neve ou dia gelados quando quase todos aceleram o passo para não arrefecerem.

Esses portugueses - como tantos outros - dizem mal do seu países quando estão entre os seus pares mas defendem a sua pequena nação de 800x250 km com unhas e dentes quando os metem no mesmo saco dos espanhóis. Somos aqueles castiços, patrícios do Luís Figo, do Cristiano Ronaldo, do José Mourinho e de bons jogadores e guarda-redes de futebol que, por mero acaso, até jogam em clubes de Espanha... Os do bacalhau e os das sardinhas, do bom vinho e do Vinho do Porto, do Benfica, do Sporting e do Futebol Clube do Porto, do Algarve e de Lisboa, do Porto, de Fátima e do milagre dos pastorinhos, do Mediterrâneo apesar de sermos banhados exclusivamente pelo Atlântico...

Somos uma espécie de povo que não fala bem espanhol mas uma língua parecida com o francês ou com o russo (com o russo!!!) e alguns de nós até têm mais do que 1,70m de altura. Temos provavelmente algo em comum com os namorados e maridos portugueses de polacas e todos temos uma polaca na nossa história; desde o português ao cidadão da República do Congo. A culpa é delas, das polacas.

A culpa é toda vossa ó polacas. Quem vos manda serem tão lindas? Porque motivo nos sentimos tão atraídos por vocês sendo nós povos latinos e vocês povos eslavos? Será da vossa cor dos olhos? Do formato deles a lembrar um felino pronto a atacar? De olhar para os vossos cabelos ou o modo como vocês arranjam tão bem os pés quando andam de sandálias no Verão? Talvez seja por causa dessas pernas longas e elegantes que deixam um homem (com O grande como dizia o outro) desvairado? Como conseguem vocês levar um português que nunca vai à missa e à Comunhão ter de fazer os sacramentos para poder casar pela Igreja? Vocês são como a droga!

E nós o Machus Lusitanus? :) Nós sabemos que vocês gostam do nosso tipo especialmente quando temos aquele olhar selvagem e vos fazemos um sorriso sacana que diz estarmos pronto para vos dar tudo o que quiserem, a qualquer hora, em qualquer lugar, quando vos olhamos olhos nos olhos e deixamos que vocês nos leiam a mente, quando vos queremos sentir... Talvez seja da cor escura dos nossos olhos, dos nossos cabelos escuros e da cor da pele que faz um contraste fantástico com a vossa, não sei...

Por causa de ti, ó polaca vivo no teu país, quase gelo nas tuas ruas e durmo como posso, as horas que os nossos rebentos deixam. Não foi preciso casarmos pela Igreja nem tiveste de ter a árdua tarefa de me levares a um curso de casamento sem teres de me ver de trombas e contrariado (sei como é terrível ver-me assim), tudo ocorreu naturalmente, como quisemos, no tempo devido e assim continua a nossa aventura. A culpa é toda tua ó polaca mas acredita que não és culpada de nada, não tens de pagar multa, nem sentença em prisão nem tampouco há arrependidos nesta história.

As portuguesas que me perdoem estas declarações de amor a estrangeiras. Gosto de muitas vocês (especialmente da minha mãe e irmã), algumas de vocês teriam sido namoradas ou mulheres perfeitas, quantas das minhas vizinhas em Portugal não teria namorado se pudesse... quantas de vocês não teria beijado e feito amor noutras circunstâncias? Não haveriam sequer barreiras linguistas nem diferenças culturais mas... C'est la vie!

Polacos. No hard fellings. Tenho de gostar de alguns de vocês (especialmente dos meus filhos que nasceram na Polónia). Tenho grande respeito e carinho por muitos amigos polacos mas não esperem que goste tanto de vocês como gosto das polacas...

7 comentários:

Anónimo disse...

Lindo. E vivá tua polaca!

Inês PL

Marta and Sergio disse...

Ola Ricardo!

So queria dizer que gosto muito do teu blog. Sabes bem observar e descrever o que observas ;)

ab,

Marta

Anónimo disse...

http://fromustotheworld.blogspot.com/

este e o meu (fotoblog) mas nao ta' atualizado :(

Ricardo Taipa disse...

Inês

És para mim uma portuguesa muito especial - por muitos motivos - portanto cabes numa parte deste tópico. Beijinhos.

Martinha dos olhos verdes...
(O nosso escritor Almeida Garret escrevia assim no romance "Viagens na Minha Terra" mas era uma Joaninha dos olhos verdes).

Parabéns por dominares a língua de Camões e pelo bom gosto em escolher um português e parabéns ao meu patrício Sérgio pelo bom gosto também... :)

Obrigado pelo comentário.

Geraldo Geraldes disse...

Está muito bem, mas o teu teclado deve ter aí um problema com uma tecla malandra. Muitas das vezes quando falavas bem da polaca, surgiu polacaS. é só um S a mais no fim, mas a interpretação assim é mais....lata. :)

Ricardo Taipa disse...

Geraldo... :)

O teclado está funcional...

Tenho a minha polaca favorita e só por ela me deixaria congelar nestes Invernos mas não deixo de dizer que as polacas são regra geral umas giraças.

PM Misha disse...

pois é, só quem não sabe é que não compreende q;)