sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Finados - Wszystkich świętych


O que vale é que tinha 150 zloty de gasóleo no depósito, tinha abastecido de manhã nas bombas do Tesco, a 4.08 o litro, antes de me aventurar na ida ao cemitério.

Hoje tirei um dia de folga para supostamente tratar de assuntos pessoais entre os quais mudar a panela de escape da minha carrinha, pensei que daria tempo para tudo inclusivamente ir com a sogra ao cemitério onde se encontra a campa do meu sogro mas nem por ser uma Sexta-Feira me livrei de ficar com a perna esquerda cansada de tanto embraiar alem de ter tirado uns bons quilómetros de vida útil ao disco de embraiagem.

Este dia de Todos os Santos ou Wszystkich Swiętych mobiliza os polacos de tal modo que se torna mórbido não o ir ao cemitério mas sim usar o carro para a visita, principalmente em grandes cidades como Łódź. Mais vale ficar enlatado nalgum autocarro Icarus ou ir de Volvo ou Mercedes mesmo que se vá de pé toda a viagem.


Muitas das flores e ramalhetes que se compram nos vendedores, que literalmente rodeiam os cemitérios, têm uma particularidade que sempre me deixou surpreendido, são plásticas!
Pelo menos não murcham, não precisam de água e não ficam um amontoado de palhas secas passado umas semanas. Aquelas flores e ramalhetes plásticos a 40 e 50 zloty são como o Toyota Corolla 1200 dos anos setenta "veio para ficar", e ficam mesmo, excepto se forem roubadas, infelizmente há quem não queira gastar as suas notas de Kazimierz e prefira deitar a mão a propriedade alheia, afinal o que conta é mesmo a intenção e Deus perdoa todos, como bem sabemos.


Flores verdadeiras para venda. Nem só de plástico vivem os vendedores.


O que mais me surpreendeu nos cemitérios polacos é a extensão deles, por vezes percorrem-se sem problemas um ou dois quilómetros dentro do cemitério e ainda por cima não é permitido o uso de patins em linha, bicicleta ou um mero "secador". Na questão de higiene pública o dia é de tal modo importante e a afluência é tal que as autoridades disponibilizam WC's públicos onde regra geral está uma fila de senhoras aflitas, muitas delas com provecta idade e com aquelas boinas estranhas bem ao estilo das fãs da Radio Maryja. Os homens, esses, desenrascam-se sempre em qualquer lugar.



Quando a noite chega - muito rápido infelizmente - o espectáculo das milhares de velas acesas é surpreendente, se puderem vão ver a sério que vale a pena!

Para quem vive aqui e tem os seus entes queridos em Portugal fica sempre a pensar como a distância entre os dois países é realmente enorme. Na impossibilidade de colocar velas ou ajudar a limpar as campas dos "nossos" falecidos mais vale meditar sobre eles, afinal o objectivo é mesmo o de recordar as memórias.






4 comentários:

Rui Vilela disse...

Amanhã se puder vou de autocarro :)

Zé da Bola disse...

Fui convidado a ir ao cemitério mas recusei. Há tradições que respeito mas essa de ir ao cemitério num dia destes não é para mim. Desculpem-me...

Ricardo Taipa disse...

Também fiquei em casa. ;) Em Portugal sempre prestei a minha homenagem no dia anterior aos finados.

Aqui na Polónia, com a confusão que se instala, não estou mesmo virado para isso. Penso que para alguns portugueses com famílias polacas mais tradicionais deve ser difícil dizer não.

Mesmo estando afastado da igreja e das religiões em geral sinto este dia como bom para meditar sobre determinados assuntos e sobretudo recordar aqueles que já não se encontram entre nós.

João Tavares disse...

é verdade, a avó da minha namorada fez questão de organizar uma autentica "excursão" quase que obrigando o resto dos familiares a visitarem o "avô" ao cemitério, eu não participei pois estou a 1300km de distancia, nem aqui em Portugal pude participar porque estive a trabalhar, mas para dizer a verdade também não sou fã de ir ao cemitério, vou quando sinto que tenho que ir...felizmente a minha namorada também é da mesma filosofia que eu =)