segunda-feira, 25 de maio de 2015

Andrzej Duda - Presidente da República da Polónia


Dois partidos conhecidos, o PO (Plataforma do Cidadão) e PiS (Lei & Justiça), um candidato veterano da politica polaca, a tentar o segundo mandato, e outro, nos seus quarenta, a tentar a sua chance num país em mudança onde se destaca a divisão entre os polacos mais progressistas e os conservadores ou porventura a divisão entre a Polónia urbana e a Polónia rural. 


Andrzej Duda nasceu em Cracóvia a 16 de Maio de 1972


Depois da polémica em que alegadamente Andrzej Duda sugeriu dar voz de prisão a quem recorrer à fertilização in vitro a vitória sabe a mel para o partido dos irmãos Kaczyński e para os meios mais conservadores; o partido é de direita com fundamentos cristãos e patriotas.

Prometendo reduções fiscais aos cidadãos, às pequenas empresas e pequenos negócios familiares esmagados pelas grandes superfícies como por exemplo o Tesco stores, Biedronka e Lidl, mais vigilância e fiscalidade aos lucros dos investidores externos, menos compromissos com a UE e voz mais firme da Polónia em Bruxelas, inclusivamente com a adesão da Polónia à moeda única, e mais arreigado a valores cristãos como a não-descriminalização do aborto e a desfavor de métodos de concepção e contracepção não-naturais, Andrzej Duda não vai agradar a Gregos e a Troianos. 

A presidência polaca tem um papel mais simbólico do que legislativo (forças armadas e banco nacional da Polónia) mas a vitória do PiS num momento em que as tensões com a Federação Rússia e o Ocidente escalam, o conflito na Ucrânia está longe de estar sanado por via diplomática e depois da Irlanda, um país conservador e católico, aceitar o casamento entre indivíduos do mesmo sexo, um presidente com o legado dos Kaczyński vai ter uma tarefa árdua pela frente sobretudo perante os parceiros da União Europeia. 



sábado, 23 de maio de 2015

Símbolos típicos em típicos lares polacos


Porventura alguns dos leitores se recorda ou já se deparou com aqueles bibelot e decorações kitsch típicas nas casas dos avós ou dos tio-avós portugueses (mas não só) como os quadros com o menino a chorar, a recordação da ida a Fátima, o sofá imaculado coberto com rendas, o Galo de Barcelos em cima do frigorífico e, não fossemos um país de futebol, os símbolos dos três grandes clubes ou da selecção nacional algures numa, ou em diversas, divisões da casa e no automóvel. E na Polónia? 


O retrato de Josef Piłsudski na sala de jantar ou no hall de entrada


Um herói nacional reconhecível imediatamente pelo seu farfalhudo bigode, olhar penetrante e farda do exército nacional da Polónia.

Foi presença nos grandes conflitos que fazem parte da história da Polónia; da I Grande Guerra passando pela guerra polaco-ucraniana, polaco-lituana e polaco-soviética. Correu com os russos e prussianos - o que sempre foi uma tarefa dantesca - e logrou a libertação da Polónia  depois de mais de um século de partição, foi primeiro chefe de estado da II República da Polónia e posteriormente considerado ditador de facto - ainda que nem todos os polacos o considerem historicamente correcto...


Símbolos religiosos católicos

Os polacos são, regra geral, católicos e religiosos, não gostam muito que se brinque com religião - sobretudo com o catolicismo - e as igrejas ao domingo e nos feriados religiosos estão cheias, os conventos e mosteiros ainda têm muitas freiras e monges e não há escassez de padres ao contrário de outros países católicos. 



A cruz de Cristo, o retrato da Nossa Senhora de Częstochowa, passada a espada pelos suecos (reparem os traços no rosto) que chegaram a estas terras atravessando o Báltico congelado, o retrato de João Paulo II, que eles denominam de "o nosso Papa", o P com ancora, símbolo da resistência polaca durante a II Grande Guerra, por vezes uma bandeira ou pin do Sindicato Livre Solidariedade, o retrato do monge franciscano Maximilian Kolbe que morreu esfaimado em Auschwitz ficando conhecido por sobreviver sem comer durante um tempo inusitado - recolhia migalhas para alimentar os prisioneiros - e nalguns lares o retrato de Lech Wałesa ainda que ao longo do tempo muitos foram retirados ou mesmo rasgados à medida que o descontentamento com o líder do Solidarność aumentava...

Fotos de família com um Fiat 126P ou "maluch"

Depois de 1945 a Polónia encontrava-se destruída e arruinada e nas décadas seguintes, quando o bolo chamado Europa, foi dividido entre os EUA e a URSS, o domínio do grande irmão soviético foi uma constante até quase ao final da década de 80.

Um carro minúsculo para gente grande. Os condutores polacos altos mal cabiam no 126 P mesmo com o banco todo puxado atrás no entanto vendeu como pão quente e motorizou um país inteiro. 

Nos anos sessenta e setenta contudo, os italianos da então poderosíssima Fiat do "commendatore" Giovanno Agnelli conseguiram vender alguns dos seus modelos sob licença, a troco de aço e mão-de-obra, do lado de lá da Cortina de Ferro. Na URSS chamaram-se Lada e na Polónia Fiat Polski onde tinham um P a denominar a origem de fabrico.

Em 1972 o substituto do carismático 500, o 126, passou a ser construído na gigantesca fábrica da FSO em Tychy com o tal P em anexo e literalmente motorizou a Polónia, tornando-se um ícone do país e da "PRL" (República Popular da Polónia) e de milhões de histórias com este pequeno carro como protagonista o que não é de admirar tendo em conta que deixou de ser fabricado apenas em 2000! 

Não é difícil encontrar inúmeras fotos de família polacas fazendo as suas férias no Báltico ou os Cárpatos com um 126 carregado de malas e duas ou três crianças aconchegadas no banco de trás num tempo em que ninguém se preocupava com cintos de segurança, cadeiras ISOFIX, airbags frontaislaterais, de joelhos e de cortina e muito menos multa por ter um puto à solta dentro do carro... 

A recordar a velha anedota polaca; qual a zona de deformação de um Fiat 126? Não sabem? Tudo aquilo que fica entre o capot e o motor (para quem não percebe nada de carros o 126 tinha o motor atrás)...


O judeu com a moeda de 1 groszy, judeus e diabretes...


Um retrato onde um velho judeu de barbas inspeccionar uma moeda, uma estatueta com um judeu a segurar um moeda de 1 groszy (um cagajessímo de €) ou um judeu a tocar um violino são talismãs ou amuletos para boa sorte num lar ou escritório, o corresponde ao símbolo de "figas". 

Considerado como não politicamente correcto, anti-semita e racista o żyd z pieniążkiem (judeu com dinheiro) faz parte do folclore polaco e está à venda em inúmeras lojas de artesanato e de souvenirs.


 O Diabeł Boruta ou Diabo Boruta


Tido como um nobre que corrompia tudo e todos está enraizado na cultura polaca e tem origem na antiga e histórica vila de Łeczyca (não muito longe de Łódź).

Existem desenhos, estatuetas e inúmeras figuras de artesanato com este diabrete, inclusivamente algumas onde copula, levanta saias a senhoras, bebe vodka entres outras leviandades...


sexta-feira, 1 de maio de 2015

Primavera na Polónia, tempo de piqueniques, barbecues trovoada e... inundações



O Inverno este ano foi longo mas piedoso apesar das temperaturas negativas que, como sempre, se fazem sentir e da neve que inevitavelmente acaba por cair mas nada comparado a outros Invernos passados onde já cheguei a sentir na pele a sensação cortante de 20 graus negativos no nariz (o resto estava tapado) e conduzir um carro com os bancos congelados tipo pedra... 2015 no entanto começa com um Primavera chuvosa e pitadas de sol aqui e ali chegando inclusivamente aos 22 positivos.


Península de Hel a Norte da Polónia

A Primavera na Polónia é sempre revestida de grandes expectativas especialmente em Maio onde se juntam dois grandes feriados, o 1 de Maio e o 3 de Maio (Dia da Constituição) e os polacos aproveitam para passar ou umas mini-férias, de preferência no Báltico ou nos Cárpatos, ou para tirarem da garagem ou da cave o grelhador com pó acumulado de meses. 

A tão popular kiełbasa (uma espécie de salsicha/alheira nacional) é comprada em quantidades industriais e acompanhada com cerveja ou vodka. Tradições antigas e bem enraizadas na cultura polaca. Para quem não come carne sugere-se uma espetada de cogumelos, pimentos e cebola regados com um fiozinho de azeite e eventualmente rolinhos de courgette com queijo feta. 

O que nem sempre é previsível nesta estação do ano é o tempo e não é incomum um fim-de-semana de grelhados começar solarengo para ficar estragado com uma repentina tempestade acompanhada de trovoada, nada que o vodka ou os "six-pack" de cerveja não façam esquecer ou pelo menos consolar a visão de ver o grelhador e o carvão ficarem ensopados de água... 



A pequena vila de Brzeziny (leia-se Bjéjinê) na voivoda de Łódź ficou totalmente inundada depois de uma repentina tempestade.

Aos que aqui vivem e vão passar a "Majówka" fora os desejos que se divirtam e apanhem bom tempo e sobretudo que tenham particular atenção na estrada.