quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Polónia avulso - Parte XIII


A crise da Crise dos Refugiados na Europa e no Médio-Oriente

Enquanto fazemos o nosso dia-a-dia e nos preocupamos com coisas corriqueiras, típicas de quem vive em paz e sossego, entre o partilhar das fotos das últimas férias nas redes sociais, o conforto de um banho de água quente, uma refeição acompanhada de um bom vinho e ponderar se é o momento de trocar de carro por aquele modelo novo estilo "smartphone com rodas" no nosso continente uma crise humanitária está neste momento a ocorrer e em especial nas fronteiras da UE. 

Refugiados (denominados de "migrantes" por grande parte da imprensa europeia) de países em guerra com o ISIS e em guerra-civil - consequência das "Primaveras libertadoras" no Norte de África e Médio-Oriente - procuram por todos os meios fugir das perseguições religiosas, chacinas, violações, tortura e violência inusitada que ruge naquela parte do planeta. A verdade é que estamos num estado de guerra ainda que não seja mundial como as outras duas.

Família Síria aproveita um espaço deixado no arame farpado para atravessar a fronteira entre a Servia e a Hungria de modo a finalmente entrarem no Espaço Schengen. 

A Alemanha e o Reino Unido são os países com maior número de refugiados e pedidos de asilo ainda que pareça não haver um plano delineado e coerente por parte da UE de modo a lidar convenientemente com tal crise, algo a que nos habituamos por parte de Bruxelas (agora parece ser por parte de Berlim e Londres) à medida que as fronteiras se expandem para Leste. 

A Polónia recebe uma ínfima parte dos refugiados que na maioria procuram refugio em países com melhores condições de vida, como já referido anteriormente, ainda assim cerca de dois mil vão ser recebidos excluindo aqueles provenientes da vizinha Ucrânia, tidos como "invisíveis" e que têm vindo a preencher as vagas de trabalho pago a tostões deixadas pelos polacos que, beneficiando do Espaço Schengen e da adesão à UE, encontraram melhores condições de vida na Alemanha, Reino Unido, Irlanda, França, Holanda, Suiça, Luxemburgo, Escandinávia e também fora da Europa, na América do Norte.

O receio de uma Quinta Coluna de extremistas islâmicos, semelhante àquele que em 1940 se mencionava poder existir no Brasil e Argentina, em parte pela minoria alemã, alegadamente simpatizante de Adolph Hitler, cresce a olhos vistos com rumores, protestos e violência na Alemanha e sobretudo nas redes sociais e na Internet, agitada contra uma "invasão muçulmana" da Europa encapotada de ajuda humanitária a refugiados.

A UE tem de ser pró-activa na organização de campos de refugiados e na mais do que óbvia necessidade de separar o trigo do joio entre famílias e indivíduos inocentes que desesperadamente atravessam o mediterrâneo e as fronteiras do FYROM, pagando somas avultadas a traficantes sem escrúpulos  - que amiúde os deixam à deriva ao largo da outrora paradisíaca ilha de Lampedusa - e fanáticos religiosos que efectivamente pretendem a extinção e destruição da nossa milenar civilização.

O Espaço Schengen pode perfeitamente ter os seus dias contados e Portugal ainda que esteja afastado do centro do furacão irá também sentir rajadas de vento ciclónicas caso a desorganização e o caos continue no velho continente.  


Cracóvia e as minas de sal de Wieliczka 


Muitos anos depois revisitei recentemente a icónica cidade de Cracóvia aproveitando para visitar, pela primeira vez, as famosas minas de sal de Wieliczka. 

Cracóvia "by night" - imagem picada daqui: http://www.iestcfa.org/images/etfa2012/krakow.jpg

Agosto é o mês onde o turismo em Cracóvia aumenta exponencialmente mesmo assim não foi difícil encontrar acomodação a bom preço o que revela a dinâmica da cidade no que diz respeito ao turismo e à organização do mesmo. Visitas guiadas ao Castelo de Wawel e literatura alusiva ao mesmo são possíveis em inúmeros idiomas  - incluindo português - bem como o "Communism Tour" onde se pode ver a cidade a bordo de um carro comunista tipo Trabant, FSM Syrena, Fiat 125P, Polonez e outros "charutos" do período da Guerra-Fria. O Gueto judeu ganhou particular fama nos últimos anos, especialmente na bela cidade de Kazimierz Dolne, e é frequente, sobretudo à noite, ouvir os ruidosos grupos organizados de estudantes israelitas de t-shirts brancas, alguns de Kippah na cabeça e livro sagrado na mão, acompanhados, como de costume, por seguranças de ar ameaçador como se ainda estivessem em risco da algum Pogrom como nos anos quarenta do século XX... 

Os campos de concentração Nazi na Polónia ocupada, Auschwitz-Berkinau, são também parte da visita típica ainda que não seja para todos, há quem não consiga sequer imaginar atravessar aqueles históricos portões e enfrentar a realidade de que o dito Holocausto ocorreu, estando ali a prova provada da insanidade e matança organizada em nome de convicções rácicas e politicas. 

As minas de sal de Wieliczka

Património Cultural da Humanidade desde 1978 as minas de sal são um dos tesouros da Polónia e vale bem a pena a visita ainda que, fica o aviso à navegação, um bom par de ténis sejam necessários para calcorrear os quilómetros - literalmente - de galerias e as escadarias que dão acesso aos salões e capelas esculpidas em sal, não vão de chinelo de praia ou sandálias com salto como algumas jeitosas que por ali vi... 

Cerca de 800 escadas em madeira para descender às galerias e túneis das minas de sal - obviamente que há acesso por ascensor para pessoas com invalidez ou incapacidade. 

Admirável também que vencidos pelo cansaço ao fim de quilómetros de galerias, túneis, escadarias e recantos ficamos a saber que apenas visitamos menos de 2%  do total das mesmas! São quase 400 quilómetros de minas, uma extensão inacreditável como se tivéssemos minas de Braga a Lisboa não é portanto de ficar admirados que durante a ocupação nem os Nazi quiseram explorar as mesmas usando-as antes como postos de armazenamento de materiais de guerra, teriam eles receio de se perderem e serem fechados para sempre por os mineiros polacos? Fica a pergunta no ar... 

Em eras passadas o território onde hoje em dia se encontra a Polónia era oceano e à medida que as águas foram baixando durante a deglaciação os depósitos de sal oceânico foram sendo cobertos de sedimentos e comprimidos até formaram admiráveis blocos e cavernas de sal, semelhantes em cor ao granito. Ao longo de séculos foram extraídos milhões de toneladas de sal e só no nosso século, as minas foram finalmente descontinuadas permanecendo na sua maioria como curiosidade e atracão turística recebendo um milhão e meio de visitantes por ano. 

O vagão de ouro Nazi e a corrida ao ouro - versão século XXI

Provavelmente semelhante a este o comboio Nazi que em 1945 desapareceu carregado com o saque de cinco anos de guerra.

Não há certezas de nada, se existe ou se não existe, tão provável uma versão como a outra a verdade é que dois exploradores polacos alegam ter encontrado perto de Breslávia (Wrocław), mais propriamente Walbrzych, um dos últimos vagões de ouro dos ocupantes alemães, escondido durante a debandada dos mesmos em 1945, quando de um lado o Exército Vermelho carregava e do outro os Aliados apertavam. Rumando em direcção a Berlim a composição desapareceu misteriosamente junto com tudo de valor que levava consigo. A guerra chegava ao fim e Berlim já não era um destino seguro para os Nazi.  

E enquanto escrevia estas linhas foi confirmada a descoberta dos vagões ainda que não se saiba o que contêm. Os descobridores terão direito, de acordo com a lei polaca, a 10% do valor da descoberta, ainda que, caso seja confirmada a descoberta do "tesouro" tudo aponte para que seja retornado aos mesmos, a maior parte judeus.

Um tema a retomar nos dias que se se seguem.



3 comentários:

Vini disse...

Excelente post. Quanto a questao da enorme vaga de "refugiados" que procura entrar na Europa, recordo que essa mesma Europa, enquanto Imperio Romano, sofreu iguais vagas de povos, desta feita oriundos de Leste. Pressionados por outros ou, tal como hoje, atraidos pela ideia de seguranca e abundancia, pela forca das armas ou de pactos de um Imperio em dificuldades, aqui entraram e deram origem a um novo mapa politico europeu. Acredito que a Europa enfrenta um processo semelhante ao do passado, embora num plano conjuntural diferente.

Vini disse...

Excelente post. Quanto a questao da enorme vaga de "refugiados" que procura entrar na Europa, recordo que essa mesma Europa, enquanto Imperio Romano, sofreu iguais vagas de povos, desta feita oriundos de Leste. Pressionados por outros ou, tal como hoje, atraidos pela ideia de seguranca e abundancia, pela forca das armas ou de pactos de um Imperio em dificuldades, aqui entraram e deram origem a um novo mapa politico europeu. Acredito que a Europa enfrenta um processo semelhante ao do passado, embora num plano conjuntural diferente.

Ricardo Taipa disse...

Obrigado Vini,

A História repete-se, dizem. Perante a letargia da UE no controle das suas fronteiras e o notório decréscimo populacional da população europeia pelo envelhecimento e taxa de fertilidade o futuro deste continente parece caminhar a passos largos para uma miscigenação cada vez maior, de Norte a Sul, de Este a Oeste.

Portugal com o crescimento da comunidade brasileira e também da africana a par com a de Leste - os que ficaram depois da debandada pós-crise - é um exemplo dessa inevitável mudança.

Creio que será mais uma batalha entre seculares e fanáticos religiosos islâmicos do que uma batalha entre religiões distintas. Em 25 anos teremos sem duvidas uma Europa totalmente diferente da que temos hoje em dia.