domingo, 28 de junho de 2009

Michael Jackson - como não podia deixar de ser...

Michael Joseph Jackson 1958 - 2009

Inevitável não referir a morte de Michael Jackson, goste-se ou não do artista. Cresci (crescemos e envelhecemos) ao som de músicas como Thriller, Billy Jean, Moonwalker, Stranger in Moscow, Black or White e tantas outras que Michael Jackson deixa como seu legado. Le roi est mort, vive le roi!

Andávamos esquecidos de Michael Jackson, o artista parecia estar coberto com uma camada de pó, atirado para um canto da memória colectiva até 25 de Junho de 2009 quando o seu coração parou de bater.
Recordo-me vivamente do tenebroso teledisco de Thriller aterrorizar os miúdos da rua - tinha então 9 anos - e causar incontinência num deles, das suas mudanças de visual, da sua presença em concerto, o modo de dançar, o seu gritinho imagem de marca, as dezenas de operações plásticas, o seu nariz delgado e rosto pálido, das máscaras, de pendurar um bebé numa janela a vários metros de altura, da Neverland, da queda vertiginosa da sua carreira, de escândalos envolvendo acusações de pedofilia, demência, bancarrota, dividas, custódia dos filhos, julgamentos mediáticos...
Nos anos noventa gostar de Michael Jackson era apreciar música "azeiteira" mesmo que a conseguíssemos cantarolar logo na primeira vez. O Rei da Pop tornava-se sinónimo de música popular, easy listening, de McDonalds musical para consumo das massas mas não deixava de ser bom.

O desaparecimento do cantor aos 50 anos dissipou momentaneamente o lado negro da sua brilhante carreira musical, todos querem recordar as boas músicas que fomos ouvindo ao longo de varias décadas.
Elvis Presley ganhou um novo rival nas teorias da conspiração sobre mortes simuladas. Michael Jackson é um fenómeno mundial na era da Internet, do Youtube, após a sua morte Michael Jackson continua a fazer correr tinta, a ganhar novos fãs, que descanse em paz.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Português não entra!


Pela primeira vez desde que vivo na Polónia barraram-me a entrada a um local alegando que pelo facto de ser estrangeiro não posso, só indivíduos com "polskie obywatelstwo", ou seja, com nacionalidade polaca. Pensando duas vezes tenho ideia que até é a segunda vez que me barram a entrada.
A primeira foi numa discoteca em Łódź - já lá vão sete anos - onde decorria uma festa com "gangsters" polacos e respectivas "dziewczynas" e "dziwkas"... claro que eu e o outro "portuga" que me acompanhava rimo-nos como uns perdidos quando o porteiro - um loiro de corte militar e olhos azuis claros - nos disse um rotundo NIE! Talvez tenha sido intervenção divina, naqueles tempos os "gangstá" de merda ainda iam para as discotecas munidos de taco de basebol e faca de mato...


Desta vez foi diferente, poder entrar podia mas teria de preencher documentação, esperar a autorização da chefia e cruzar os dedos para alguém da embaixada de Portugal atender o telefone e confirmar que sou um cidadão acima de qualquer suspeita, no meu caso seria em vão pois nem sequer estou registado no consulado.

Tudo aconteceu numa rotineira visita de trabalho a uma gigantesca "elektrownia" (central eléctrica e de aquecimento) nos arredores da cidade de Konin na província da Wielkopolska.
A entrega de umas amostras e posterior diálogo com um potencial cliente revelou-se praticamente impossível.

As centrais eléctricas na Polónia - e ao que parece em todo o mundo - são locais estratégicos e protegidos, tem toda a lógica obviamente, e não se trata de qualquer discriminação pelo facto de ser cidadão português, espanhol, norte-americano, senegalês ou argentino.

Em todas as grandes cidades e aglomerados populacionais podemos ver estes colossos a vomitarem fumo e vapor-de-água das suas gigantescas chaminés, são contudo um osso duro de roer para o governo polaco pois o carvão ainda é usado para aquecer as gigantescas caldeiras emitindo gases nocivos para a atmosfera - os três países mais poluidores são conhecidos em certos meios como o Triângulo Negro, compreendendo a Alemanha, República Checa e a Polónia.


domingo, 14 de junho de 2009

Estamos em Junho! A sério?!


O meu carro é italiano mas o visor do ar-condicionado e o sensor de temperatura exterior não estão avariados... na passada Sexta fizeram mesmo 9 graus em Łódź...

Sim, supostamente estamos na silly season, em pleno Junho e com temperaturas que por vezes chegam aos maravilhosos 9 graus!!! A chuva tem caído copiosamente desde o início do mês, a fazer-nos recordar que o chamado clima ameno - que tão bem conhecemos - fica mais para Sul, lá para baixo, num país perto da África do Norte e fronteiriço com Espanha...



As previsões meteorológicas não são optimistas nem animadoras, o mau tempo parece ter vindo preencher o Junho polaco, entrecortado com alguns rasgos solarengos, em estilo de bodo aos pobres, mas insuficiente para aquecer um português que se preze - mesmo um já aclimatizado como eu!

Conduzir diariamente numa auto-estrada polaca torna-se um verdadeiro enfado quando temos chuva e somos obrigados a levantar o pé do acelerador não vá nos enfeixarmos contra um qualquer TIR de matrícula russa ou estónia que invadem e sulcam as vias terrestres polacas, a Polónia é para todos os efeitos um verdadeiro corredor para o mercado da Europa de Leste, nomeadamente para os vizinhos bielorrussos, ucranianos, estónios, letões, lituanos e russos.
A quantidade de camiões e TIR nas estradas e auto-estradas polacas são praticamente inimagináveis para o comum cidadão português que os vê em quantidades muito menores nas estradas lusas.

A previsão meteorológica para a Polónia prevê mais uma semana de chuva e sol com temperaturas a rondarem por vezes o máximo de 19 e o mínimo de 7...

E estamos nós em Junho...




quinta-feira, 4 de junho de 2009

Os 20 anos de Democracia polaca - um olhar vindo de dentro da ex-Cortina de Ferro


Lech Wałęsa derruba simbolicamente a primeira peça do dominó que levaria ao colapso do Comunismo na Europa Central e de Leste. Foto retirada do Gazeta online - Peter Andrews da Reuters

Quando era miúdo havia uma canção do Sting que me causava arrepios, chamava-se Russians e tinha como refrão if the russians love their children too - se os russos também amam as suas crianças.

A Polónia foi durante mais de quatro décadas parte do Bloco Soviético, do COMINTERN, do Pacto de Varsóvia, eram os amigos do Cunhal e do Agostinho Neto, eram os amigos da URSS (Urse como dizia o meu avô) inimigos dos americanos e dos ingleses, eram os povos que podiam invadir-nos, atirar bombas atómicas em Freixo de Espada à Cinta, em Venda das Raparigas e no Sobral de Monte Agraço, perseguir as vendedeiras de peixe da Marinha Grande e executá-las sumariamente por falarem tão alto, obrigarem o Zé da tasca a ler Karl Marx e levar enxertos de porrada se se atrever falar de futebol, sofreríamos sevícias das mulher-soldado polacas e russas...

Haviam bombas de vários tamanhos, cores e feitios para reduzir a cinzas todos os porcos capitalistas, do mesmo modo também lhes enviaríamos umas bombas atómicas bem gordas com ogivas múltiplas para explodirem em Stare Wies ou numa qualquer remota aldeia de pastores na Checoslováquia, assim andamos todos à espera do Apocalipse até que um dia o Comunismo caiu - de podre. Estávamos em 1989.

Apesar da Polónia ter sido o primeiro país satélite da URSS a afastar-se, foi a RDA que serviu de ícone para o colapso do Comunismo na Europa, o Muro de Berlim caiu com a fúria e alegria das multidões, os Trabant rolavam pela primeira vez em liberdade, em estradas da RFA, a canção de Sting deixou de fazer sentido de um momento para o outro... o som que passava na MTV, nas rádios e na televisão era o Winds of Change dos Scorpions.





Hoje, neste ano da graça de 2009, um português escreve a partir da Polónia, em plena liberdade, em terras que foram em tempos território do inimigo. Muita água correu debaixo da ponte, agora a Polónia é uma jovem Democracia, ficam os traumas de outros tempos a moldarem as mentalidades, ficam más recordações para uns e boas para os que usufruíram do "sistema", a Nomenclatura deve ter saudades...

E aqui estou, junto com tantos outros estrangeiros, a viver o dia-a-dia, num país improvável, numa emigração atípica mas, como dizia o nosso poeta:

E valeu a pena? Tudo vale a pena se a alma não é pequena.